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Fui atropelado, logo eu?

Fui atropelado, logo eu que…

  • Duas semanas atrás trouxe aqui no site, uma reflexão sobre as responsabilidades dos acidentes no trânsito;
  • Que realizei um “Bike na Roda” especial sobre educação no trânsito.  (O Bike Na Roda é um ciclo de encontros em que reunimos ciclistas para debater assuntos de interesse);
  • Logo eu que, junto com os ciclistas do Bike Clube do qual  participo realizei uma campanha de conscientização no trânsito da nossa cidade há menos de 2 meses;
  • Que faço parte de um projeto na rádio local  que visa trazer dicas e informações semanais;
  • Logo eu, que fui atropelado jus-ta-men-te no dia em que havia tratado com representantes do Município uma parceria, para iniciarmos um projeto de mobilidade urbana em nossa cidade.

Isso foi o que eu pensei enquanto voava, entre o carro e o meio fio, onde bati a minha cabeça.

Aí muitos de vocês vão perguntar: pensou tudo isso em uma fração de segundo?

Mas é claro que não!

Ainda deu tempo de pensar em mais duas coisas.
“Putz, não vou poder fazer aquele pedal de amanhã que eu havia combinado com o pessoal”, e “Tomara que não manche minha camisa do Grêmio de sangue, pois pretendia usá-la daqui a poucos dias pra comemorar o hexa campeonato da Copa do Brasil”.

Eu acho que esse foi um exemplo daqueles “filme que passa na cabeça” que a gente sempre ouve nos relatos de quem sobrevive há algum fato.

Então respeite! esse foi o meu filme. Não deu tempo de pensar em muita coisa.

Depois disso não deu tempo de pensar em mais nada, apenas senti a pancada na cabeça, ardência na perna e dor no ombro…

Já no chão, com a cara na sarjeta foi só o tempo de eu virar de costas no asfalto e já haviam pelo menos  5 pessoas no meu campo de visão.

  • O motorista, que parou o caro, e foi o primeiro que avistei.
  • Minha esposa, ciclista, que pedalava a pouco metros de mim.
  • Dois outros motoristas, que por acaso eram amigos ciclistas, e estavam no trânsisto voltando para suas casas.
  • Um técnico de enfermagem que estava indo, ou voltando do seu trabalho, pois ainda usava sapatos brancos. Foi ele quem me perguntou a idade, nomes dos meus pais e outras coisas que não lembro mais.

Foi tudo muito rápido, mas todos fazendo os seus devidos papéis. O técnico fazia o primeiro atendimento, a minha esposa fazia o papel do familiar, os dois amigos ciclistas-motoristas um ligava para a SAMU e outro auxiliava o técnico, o motorista se lamentava, e eu no caso, não fazia muita coisa, apenas o que me mandavam.

“Não se mexe, não se mexe”.

Como eu não tinha muita coisa pra fazer e estava consciente (ainda bem, pois senão não teriamos a minha versão da história), fixei os olhos em um grande outdoor luminoso, desses que ficam rodando propagandas, e bem no canto percebi que indicava as horas em formato digital.

Foi ali que fixei o olho enquanto um dos amigo ligava para a SAMU, e foi ali também que descobri que a SAMU levou 3min e 52seg pra chegar ao local do atendimento ao atropelado, que no caso era eu. Putz, LOGO EU?

Bom, logo após cessar o som da sirene da ambulância, quem foi o próximo rosto que avistei?  Quem, quem, quem? outro ciclista, digo, eram os socorristas da SAMU, mas naquele dia era justamente um amigo ciclista quem fez a imobilização e a tradicional bateria de perguntas.

Depois de imobilizado precisaram transpor o atropelado do chão para a maca, e nesse momento em que eles fizeram um pequeno rolamento do meu corpo para preservar a cervical foi o único instante em que o meu campo de visão ampliou e deixei de ver apenas o outdoor, naquele momento consegui avistar mais um ciclista, este estava com sua bike e todo equipado, pensei que era apenas mais um curioso ali vendo o atropelado, que no caso era EU.

Bom, o fato que uns 30 min depois eu descobriria que aquele ciclista que avistei era o pai do rapaz que me atropelou. Inclusive ouvi ele dizer “poderia ter sido eu, pois eu vinha logo atras do casal”, na hora pensei, verdade, o motorista poderia ter atropelado o próprio pai. Imagina só que manchete para os jornais e rádios?

Mas não foi, foi LOGO eu.

Nesse meio tempo eu já estava entrando na ambulância 13min25seg depois da ligação, foi ali que perdi a única referência de tempo que eu tinha, o outdoor.

Chegando no hospital o segundo rosto que eu vejo é de quem? do médico que por coincidência é ciclista também. Alí mesmo ainda no corredor do hospital fez uma análise rápida e descartou qualquer fratura, mesmo assim realizamos alguns exames para ter certeza.

 

Entre o atendimento e os exames de radiografia chegou dois policiais para registrar o boletim. Um deles conheço das pedaladas por aí, não é amigo, mas sei que é ciclista também. Respondi um formulário com 425 perguntas e pronto, simples. Afinal de contas eu estava com tempo.

Depois de todo o transtorno, do atropelado estar fora de risco e ser liberado para voltar à sua casa.

Parei e pensei: Tinha que ser eu?

Bom, mas e se não fosse eu quem seria? A resposta exata eu não sei, mas arrisco dizer que, talvez… fosse outro ciclista, outro motorista, outras pessoas envolvidas. Quem sabe até você.

Compartilhe, pois quem sabe a minha experiência possa contribuir na conscientização de um trânsito mais seguro para todos nós.

Por: Cleber Magalhães Tobias

*Ps.: o que fiquei chateado depois de tudo foi que ninguém perguntou da bike, mas ela passa bem também.

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3 Comentários

  1. Vinícius Fontoura de Brum

    Pois é Cléber, infelizmente ocorreu tal situação que na verdade não é boa para nenhum dos lados. Eu, como motorista, queria novamente me desculpar contigo. Foi um acidente, não sou o tipo de motorista que não respeita os ciclistas, inclusive avistei tua namorada, não vinha nenhum carro e eu esperei ela passar, mas não te vi, foi bem no ponto cego da coluna. Meu pai conforme tu disse é ciclista e eu as vezes dou minhas voltas pela cidade, sei que é complicado, os carros tirando finos e tudo mais. Mas quero dizer que tua namorada ficou com meu número, e que estou disponível para o que tu precisar. Desculpa novamente, mas foi um acidente.

  2. Q figura esse Clever… até de uma situação trágica ele consegue deixar cômica. .. melhoras ai meu galo e tudo de bom… #vamoqvamo… #boraTreinarQTaTodoMundoTreinando… kkkl

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